Autenticidade: os feeds estão cheios de conteúdo, mas vazios de humanidade

Kiso Insights 117 capa - autenticidade
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Pontos principais do artigo:

Em 2026, são publicados 12 milhões de posts por minuto e estima-se que 90% do conteúdo online será criado por Inteligência Artificial.

Com essa avalanche de conteúdo, o principal conflito é que as empresas de mídias sociais incentivam o uso de IA, ao mesmo tempo em que também tentam conter o avanço da onda de “AI Slop”, ou seja, o “lixo” gerado pela IA.

Praticamente todas as plataformas estão considerando restrições ao conteúdo gerado por IA a fim de manter conexões mais significativas entre os usuários e priorizar a autenticidade.

De acordo com a reportagem do site “Social Media Today”, até o momento:

  • O YouTube limitou a monetização de conteúdo feito por IA e conteúdo inautêntico.
  • O TikTok ampliou seus programas de rotulagem de conteúdo e educação dos usuários para lidar com as preocupações relacionadas ao aumento de materiais gerados por IA.
  • O Instagram adicionou uma opção que permite aos usuários impedir remixes de seus conteúdos feitos por IA e removeu uma opção que permitiria às pessoas gerar imagens de outros usuários usando IA simplesmente mencionando seus perfis com @.
  • O LinkedIn permite que os usuários denunciem comentários considerados “lixo de IA”.
  • O Pinterest adicionou uma opção para limitar a quantidade de conteúdo gerado por IA nos feeds dos usuários.
  • O Reddit intensificou a fiscalização contra spam gerado por IA.
  • O X implementou medidas para limitar a monetização de deepfakes gerados por IA.
  • O Snapchat anunciou que não recomendará mais vídeos totalmente gerados por IA no Spotlight.

A urgência pelo que se tornou escasso: a autenticidade

Em 31/12/2025, Adam Mosseri (CEO do Instagram) fez um desabafo sobre o avanço da IA e a demanda cada vez maior por autenticidade. 

Segundo ele, a questão não é mais “o que você consegue criar?”. É “o que só você pode criar?”.

15 dias depois, a Meta anunciou um novo sinal no ranking dos Reels. O sinal de humanidade.

Antes, os Reels eram avaliados principalmente por sinais de popularidade (retenção, curtidas e compartilhamentos). Agora, o Instagram também está medindo sinais de humanidade.

A plataforma está usando respostas de pessoas reais para identificar conteúdos relevantes, e não apenas aqueles que prendem a atenção.

A autenticidade deixou de ser discurso e se tornou a chave para se destacar, crescer, engajar e vender mais.

Como ser autêntico nas mídias sociais?

Autenticidade não é “falar desenrolado” nem transformar o feed em diário aberto. É verdade aplicada à experiência. É quando você fala daquilo que viveu, testou, errou e aprendeu, em vez de apenas repetir o que já está circulando no seu nicho e muito menos replicar o que o ChatGPT te deu como resposta. 

A diferença entre um conteúdo genérico e um conteúdo autoral quase nunca está no tema, mas no ponto de vista. Qualquer um pode listar boas práticas de gestão, mas poucos conseguem contar com contexto o dia em que precisaram demitir alguém ou assumir um erro com o time.

Portanto, um conteúdo autêntico:

✅ Gera conversas reais em vez de comentários genéricos.

✅ Educa e agrega valor com base na experiência própria, reforçando o papel da marca como referência.

✅ Valida e gera confiança, porque mostra que há pessoas e valores por trás da marca.

Quando você adota uma linguagem autêntica, cria conteúdo que reflete dores e desejos reais e distribui com consistência e lógica, seu perfil deixa de ser vitrine e se torna referência.

De volta às origens?

A reação contrária à enxurrada de IA nas mídias sociais faz sentido. As mídias sociais, tanto pelo nome quanto pela sua dinâmica, foram construídas fundamentalmente em torno da interação social humana. 

O termo “unshittification” das mídias sociais é uma expressão criada como uma espécie de contra-movimento ao conceito de “enshittification”, cunhado pelo autor Cory Doctorow.

Enshittification descreve o processo pelo qual plataformas digitais (como redes sociais, marketplaces, apps etc.) vão piorando com o tempo:

🔹Primeiro, elas são muito boas para atrair usuários.

🔹Depois, passam a favorecer os anunciantes e exploram os usuários.

🔹Por fim, extraem valor ao máximo dos dois lados até ficarem insustentáveis, perdendo relevância.

O movimento de “unshittification” seria o movimento inverso: o esforço para despoluir, melhorar e devolver qualidade às experiências nas mídias sociais. Isso envolve:

✅ Mais autenticidade e espaço para conteúdos reais.

✅ Menos saturação de anúncios: redução de excesso de publicidade invasiva.

✅ Valorização das comunidades: criar ambientes menores, com interações mais significativas.

✅ Controle para o usuário: dar às pessoas mais autonomia sobre o que veem e com quem interagem.

✅ Conteúdo útil, relevante e confiável, em vez de cliques fáceis e virais rasos.

A audiência está saturada de conteúdo genérico, raso e que só empurra ofertas.

A sede pelo conteúdo autêntico e o movimento de  “unshittification” marcam o retorno à simplicidade, originalidade, humanidade e conexões significativas.

A autenticidade reside naquilo que a IA (ainda) não consegue replicar.

Embora a natureza das mídias sociais tenha se afastado cada vez mais da interação social e se aproximado mais do entretenimento, as pessoas continuam interessadas em ver a criatividade humana e em se identificar com momentos de conexão e experiências humanas.

Você pode usar IA para organizar ideias, estruturar roteiros ou testar variações de gancho, mas ela não viveu as suas decisões difíceis, não conhece o bastidor das suas escolhas e não sente o seu mercado como você sente. 

Quando o conteúdo nasce só da ferramenta, ele soa pasteurizado. Quando nasce da sua leitura do mundo e usa a ferramenta como apoio, ele ganha densidade sem perder identidade.

Faz sentido?

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