Dislike. Eita botãozinho danado! No mundo do marketing digital, ele divide mais opiniões do que o eterno debate entre bolacha ou biscoito.
Ele já foi motivo de memes, tretas homéricas e discussões sobre a saúde mental dos criadores. Mas, no fim das contas, qual é o real impacto desse botão nada simpático?
Enquanto no Instagram e no TikTok só dá pra reagir com joinhas e coraçõezinhos, o YouTube sempre fez questão de manter o lado sombrio do engajamento.
Porém, em uma reviravolta digna de final de temporada de série, o contador de dislikes foi removido da visão pública, deixando muitos usuários e criadores confusos.
Mas será que o temido “dedo pra baixo” ainda tem alguma relevância nos bastidores do algoritmo? É isso que vamos descobrir!
O que é dislike?
O dislike é um sinal social negativo que permite aos usuários indicarem que não gostaram de um conteúdo. No YouTube, ele sempre esteve presente como uma forma de feedback, funcionando como um contraponto ao like.

Diferente de outras redes sociais, que apostam apenas em reações positivas, o YouTube manteve essa opção para que o público pudesse expressar insatisfação de forma objetiva (sem ter que clicar em “não tenho interesse” ou “denunciar”, por exemplo).
Ainda que o contador de dislikes não seja mais visível, o botão continua ativo e pode influenciar recomendações.
Para que serve o dislike?
O dislike serve para que os usuários expressem insatisfação com um vídeo no YouTube. Seja por falta de qualidade, informações imprecisas ou simplesmente por não gostarem do conteúdo, o botão permite uma reação rápida sem a necessidade de escrever um comentário.
Além disso, ele pode influenciar o que o YouTube recomenda para cada usuário, ajudando a ajustar o feed de sugestões.
Na teoria, o dislike também deveria funcionar como um filtro contra vídeos de baixa qualidade ou enganosos.
No entanto, sem a contagem pública, essa função perdeu um pouco de força, já que os espectadores não conseguem mais ver se um vídeo recebeu uma grande rejeição antes de clicar.
Para os criadores, o botão continua sendo um feedback silencioso, mas nem sempre é fácil saber se um dislike foi dado por um problema real do conteúdo ou apenas por implicância da audiência.
Em quais outras redes sociais o dislike está presente?
Embora a maioria das redes sociais prefira incentivar interações positivas, algumas plataformas ainda permitem que os usuários expressem descontentamento.
O dislike ou sistemas semelhantes estão presentes em algumas redes, cada uma com seu próprio propósito e impacto na experiência do usuário.
- Quora: o botão de downvote ajuda a filtrar respostas irrelevantes ou de baixa qualidade, influenciando o que aparece no topo das discussões;
- Reddit: o sistema de upvotes e downvotes permite que os usuários promovam ou ocultem conteúdos dentro das comunidades, garantindo que as postagens mais relevantes sejam mais visíveis;
- TikTok: os comentários podem receber um “dislike” para sinalizar que uma resposta não agrega à conversa, ajudando a destacar interações mais relevantes;
- Instagram: em 2025, o Instagram começou a testar o botão de dislike em algumas de suas publicações.
Por que o YouTube removeu o contador de dislikes?
O YouTube removeu a contagem pública de dislikes para reduzir ataques coordenados e proteger criadores de conteúdo.
É mais ou menos o que ocorre com uma prática chamada de SEO negativo para mecanismos de buscas, técnica que consiste em dar reviews negativos no Google Meu Negócio, enviar links tóxicos ou prejudicar ativamente um concorrente. Ou seja, uma manipulação do algoritmo.
Antes da mudança, era comum que vídeos recebessem uma onda de dislikes organizada por comunidades insatisfeitas, sem que o conteúdo fosse realmente avaliado.
Isso não apenas prejudicava a visibilidade do vídeo, mas também impactava a experiência dos criadores, que muitas vezes se tornavam alvos de campanhas de desmotivação.
A plataforma justificou a decisão afirmando que a remoção do contador ajudaria a tornar o ambiente mais saudável, sem impedir que os usuários continuassem expressando suas opiniões.
O dislike ainda existe, mas agora funciona mais como um dado interno para os criadores e para o próprio YouTube. O objetivo, segundo a empresa, não é censurar críticas, mas evitar que o botão seja usado como arma contra vídeos e canais específicos.
Como ver o contador de dislikes do YouTube?
Embora o YouTube tenha removido a contagem pública de dislikes, ainda existem formas de visualizar essa informação.
A mais conhecida é por meio de extensões de navegador, como a “Return YouTube Dislike”, que recupera os dados utilizando informações do próprio YouTube e contribuições da comunidade.
Essas ferramentas não garantem números 100% precisos, mas oferecem uma estimativa baseada no volume de dislikes registrados antes da remoção e nas interações atuais dos usuários.
Outra alternativa é para os próprios criadores de conteúdo, que continuam tendo acesso ao número de dislikes diretamente no YouTube Studio na aba “Conteúdo”.
Na aba de análises, é possível visualizar a relação entre likes e dislikes dos vídeos, ajudando a avaliar o desempenho do conteúdo.
O dislike impacta no algoritmo do YouTube?
Como qualquer algoritmo, o do YouTube utiliza complexas equações para definir quais vídeos serão recomendados.
“As métricas de envolvimento do YouTube (visualizações, curtidas, dislikes e inscrições) refletem quantas vezes o seu vídeo ou canal do YouTube foi interagido. Essas métricas podem ser uma medida importante da popularidade geral do seu vídeo ou canal.”
(YouTube Help)
Porém, o dislike tem um impacto baixo nessa fórmula. Segundo um estudo da Mozilla Foundation (2022), rejeitar um vídeo com um dislike não é suficiente para impedir que conteúdos similares apareçam no feed do usuário.
Isso acontece porque o algoritmo prioriza métricas mais relevantes, como tempo de exibição, retenção de público e engajamento geral.
Na prática, dar dislike pode até sinalizar que um vídeo não foi bem recebido, mas dificilmente faz com que ele desapareça das recomendações ou das buscas.
Assim, enquanto o like pode impulsionar um conteúdo, o dislike tem um peso menor, funcionando mais como um ajuste fino na experiência individual de cada espectador.
Afinal, para que servem os dislikes para donos de canais?
Os dislikes podem até parecer ruins, mas, para os donos de canais, eles podem ser uma ferramenta útil para entender a reação do público. Entre os principais usos do dislike para quem administra um canal, estão:
- Avaliar a aceitação do conteúdo: um número elevado de dislikes pode indicar que um vídeo não atendeu às expectativas do público, seja pelo tema, abordagem ou qualidade da produção;
- Observar concorrentes: embora a contagem pública tenha sido removida, os dislikes ainda podem ser monitorados em alguns casos, como através de extensões. Isso ajuda a entender o que funciona (ou não) em outros canais do mesmo nicho;
- Evitar crises: se um vídeo começa a receber muitos dislikes rapidamente, pode ser um sinal de que há algo no conteúdo gerando insatisfação. Monitorar essa métrica ajuda a reagir antes que a situação se agrave;
- Ajustar estratégias: se determinados tipos de vídeos recebem mais dislikes do que outros, o criador pode reconsiderar o formato, a linguagem ou os temas abordados para alinhar melhor com o interesse do público.
No fim das contas, os dislikes não devem ser encarados como um problema isolado, mas como parte do feedback geral da audiência.
Analisá-los junto com outras métricas, como retenção e engajamento, pode ajudar os criadores a tomarem decisões mais estratégicas sobre o conteúdo do canal.
O dislike no YouTube passou por uma transformação, mas ainda continua existindo na plataforma.
Sua influência no algoritmo é menor do que muitos imaginam, já que o YouTube prioriza outros dados.
Quer saber como criar conteúdo no YouTube? No podcast Papo Social Media, Rafael Kiso, Bárbara Duarte e Marcio Silva compartilham insights sobre suas experiências no YouTube.